"O maior escândalo da Educação reside no facto de que, cada vez que ensinamos algo a uma criança, estamos a privá-la do prazer e do benefício da descoberta" (Papert)
Neste primeiro capítulo, Seymour Papert fala-nos de uma relação apaixonada
entre as crianças e os computadores. Na sua vasta experiência com crianças de diferentes continentes, Papert reforça esta ideia de relação apaixonada, ao afirmar que as crianças sabem de uma forma natural que pertencem à geração dos computadores, contudo, também alerta-nos que esta relação não é assim tão pacifica, pois como em tudo, existe sempre dois lados, o positivo e o negativo, o lado dos benefícios e dos perigos, o que também se aplica a esta relação amorosa entre as crianças e as tecnologias, pois esta relação está a originar uma mudança, uma MUDANÇA na aprendizagem.
De acordo com Papert, esta mudança aparece como uma característica visível na forma como os adultos relacionam-se com as crianças, cada vez mais as crianças necessitam de adquirir conhecimentos e de os utilizar de forma dependente dos alunos, o que obviamente cria algumas dificuldades de os adultos perceberem esta necessidade que muitas vezes não deixa de ser alvo de admiração. O relato que Papert apresenta sobre o episódio observado com o vídeo do seu neto Ivan, relata bem esta ideia de aprendizagem independente quando comparada com o seu próprio nível de aprendizagem e de autonomia quando tinha a mesma idade do seu neto, em que estava totalmente dependente dos adultos. Uma das principais questões levantada por Seymour Papert está relacionada com a “maior liberdade de escolha que alterará dramaticamente o modo como as crianças aprendem e se desenvolvem”.
Claramente que o fosso entre as gerações na utilização das tecnologias, nomeadamente na utilização do computador poderá apresentar um perigo no afastamento das relações entre pais e filho, como papert afirma;
“…Os adultos tem de se tornarem permeáveis a novos assuntos, não se podem convencer de que não conseguem aprender mais nada e têm de criar mecanismos de exploração autónoma, caso contrário não conseguirão acompanhar o ritmo dos filhos”.
Os adultos tem que repensar a forma de aprendizagem para poderem acompanhar as crianças e os jovens em vez de verem as tecnologias como um inimigo, um “destruidores de lares”e aprender a aplicar os termos que as próprias crianças aplicam: difícil e giro
nas suas experiências com as tecnologias partilhando uma aprendizagem de estilo familiar.
1 comentário:
Parabéns pela reflexão Helena!
Está bem articulada no que se refere às ideias do Papert e aos principais conceitos abordados no capítulo do livro.
A citação com que inicia a sua mensagem é determinante, evidencia claramente a relação entre ensino e aprendizagem.
Tenha em consideração a periodicidade dos posts.
Bom trabalho!
Joana Viana
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